Fundamentos da Logística de Produção

A dinâmica de consumo estabelece-se paralela à dinâmica de produção. Nesse funcionamento, objetos, informações, energia, pessoas e capital perfazem jornadas pré-estabelecidas até tornarem-se bens e serviços finais dispostos nos mercados.

De fato, esse fluxo de materiais constata-se uma função administrativa emergente denominada logística. Waters (2003, p.5), translata laxe, define que “Logística é a função responsável pelo fluxo de materiais de produtores para uma organização, nas operações dentro da organização e, depois, da organização para os consumidores.”.

Nesse caminho, os materiais percorrem etapas de transformação por diferentes produtores até alcançarem os consumidores finais, na forma de produto-final. Assim, Bowersox, Closs e Cooper (2002, p. 4), também definem logística, translata laxe, como: “a combinação das atividades de aquisição, organização, armazenamento, transporte, manuseio e consolidação de materiais através de uma cadeia de produção.”.

A Logística, portanto, constata-se uma ciência, que toma por objeto os processos, os ciclos, as cadeias, as camadas e as atividades de produção relativas à movimentação de materiais com o objetivo de promover a satisfação do consumidor-final, numa cadeia produtiva.

Este artigo abordará os Fundamentos por detrás da Logística de Produção.

Proposta de Valor, Materiais e Oferta de Produto

Toda vez que uma necessidade humana encontra satisfação num objeto determinado, têm-se um produto potencial. Se esse produto viabiliza-se em trocas comerciais, sustenta demandas de consumo.

Entretanto, um produto só existe caso propostas de valores realizem-se dispostas no mercado. Uma proposta de valor configura-se como um conjunto de benefícios capazes de satisfazer as necessidades humanas oferecidas por um produtor (KOTLER; KELLER, 2013, p. 9). A todo produto atribui-se uma proposta de valor de um produtor.

Assim, do ponto de vista do produtor, um produto constata-se o objeto ofertável capaz de satisfazer as necessidades humanas. Já, como visto antes, do ponto de vista do consumidor, um produto define-se como o objeto comprável capaz de satisfazer-lhe uma necessidade.

Dessa forma, demanda de consumo e oferta de produção compõem a atividade comercial, sintetizando produtos comerciais.

Para criar produtos comerciais, um produtor precisa movimentar materiais. De fato, materiais realizam-se, translata laxe, “todas as coisas que uma organização movimenta para criar produtos.” (WATERS, 2003, p. 7), tais como objetos, informações, energia, pessoas e capital. Se concretos, os materiais designam-se por tangíveis. Exemplos: matérias-primas e carros. Já se abstratos, nomeiam-se por intangíveis. Exemplos: ensino e aprendizado.

O quadro a seguir consolida os tipos de produtos para cada classe de material.

Tipos de Produtos por Classes de Materiais

TIPO DE PRODUTOCLASSE DE MATERIAL
TangívelObjetos, pessoas, capital
IntangívelInformações, energia, capital

Fonte: Baseado em Waters (2003, p. 6-7).

Quanto à sua natureza, os produtos comerciais também realizam-se concretos ou abstratos (WATERS, p. 4). Quando concretos, designam-se por bens ou por produtos tangíveis. Já caso abstratos, intitulam-se por serviços ou por produtos intangíveis. A bem da verdade, translata laxe, “todo produto é uma embalagem complexa que contém ambos bens e serviços.” (BOWERSOX, CLOSS, COOPER, 2002, p. 4; WATERS, 2003, p. 4).

Ao mesmo tempo, os produtos podem classificar-se quanto à sua finalidade industrial ou comercial.

Se produtos convergentes ao ciclo de produção, dizendo-se “de finalidade industrial”, conformam-se, quanto ao modo que entram no processo produtivo, por matérias-primas, insumos primários ou commodities ou por materiais e peças manufaturadas. Já quanto ao custo relativo, os produtos de finalidade industrial realizam-se como bens de capital ou como suprimentos e serviços empresariais.

O quadro a seguir consolida e descreve os tipos gerais e as classes, categorias e tipos específicos de produtos de finalidade industrial.

Segmentos de Produtos de Finalidade Industrial

Por Critério de Modo de Entrada na Produção

Matérias-primas
Produtos Agropecuários (commodities)Bens que entram no processo de fabricação dos produtos manufaturados; fornecidos por muitos produtores; de natureza perecível e sazonal e de campanhas promocional agrupada.Trigo, algodão, gado, frutas e legumes.
Produtos naturaisBens que entram no processo de fabricação dos produtos manufaturados; de fornecimento limitado por um número pequeno de grandes produtores; vendidos a granel; de baixo valor unitário; transportados do produtor ao usuário; contratos de fornecimento de longo prazo; homogêneos e selecionados pela confiabilidade de preço e de entrega.Peixes, madeira, óleo cru e minério de ferro.
Materiais e Peças Manufaturadas
Materiais componentesDe maioria vendida diretamente aos consumidores organizacionais; submetidos a processos fabris adicionais; de natureza padronizada; selecionados pelo preço e pela confiabilidade do fornecedor.Ferro, fibras têxteis, cimento e fios condutores.
Peças componentesDe maioria vendida diretamente aos consumidores organizacionais; entram no produto acabado com pouca modificação na forma;Pequenos motores, pneus e peças moldadas.

Por Critério de Custo Relativo

Bens de Capital
InstalaçõesDe longa duração; construções e equipamentos pesados; aquisições de vital importância para a operação, compradas diretamente do fornecedor; vendidas por pessoal técnico; compra precedida por longa negociação; de projeto altamente customizado e com suporte pós-venda de longo-prazo.Fábricas, escritórios, geradores, prensas perfuradoras, computadores de grande porte, elevadores etc..
EquipamentosDe longa duração; máquinas e ferramentas portáteis; equipamentos de escritório; não se torna parte de um produto-final; com vida-útil menor que a das instalações e mais longa que a dos demais suprimentos industriais; vendidos por produtores intermediários; de mercado geograficamente disperso; de pedidos pequenos de compradores numerosos; selecionam-se a partir da avaliação de atributos de qualidade, preço e serviço.Ferramentas de mão, empilhadeiras, guindastes, microcomputadores, mesas de trabalho, dentre outros.
Suprimentos
Itens de manutenção e reparoBens de curta duração, que facilitam o desenvolvimento ou gerenciamento do produto-final;Tinta, pregos, vassouras.
Suprimentos operacionaisBens de curta duração, que facilitam o desenvolvimento ou gerenciamento do produto-final; comprados sem esforço e por recompra direta; vendidos por intermediários; de baixo valor unitário; de grande número de consumidores dispersos geograficamente; padronizados; selecionados na base do preço e serviços.Lubrificantes, carvão, papel, canetas.
Serviços Empresariais
Serviços de manutenção e reparoBens de curta duração, que facilitam o desenvolvimento ou gerenciamento do produto-final; fornecidos por pequenos produtores especializados.Limpeza de janelas, conserto de máquinas.
Serviços de consultoriaBuscados com base na reputação e na equipe de fornecimento.Jurídica, administrativa, propaganda, auditorias etc..

Fonte: Baseado em Kotler e Keller (2013, p. 349-351)

Já se produtos divergentes do ciclo operacional, chamando-se “de finalidade comercial”, constatam-se como bens acabados ou produtos-finais. Nesse caso, distinguem-se dentre bens de conveniência, de compra comparada, de especialidade ou não procurados.

O quadro abaixo consolida os tipos e subtipos de produtos de finalidade comercial.

Processos e Ciclo de Produção

Tangíveis ou intangíveis, qualquer produto resulta da transformação de recursos, através de uma série de atividades organizacionais. A esse processo denomina-se operação ou produção (WATERS, p. 5). A manufatura (bens manufaturados), a fabricação (bens industrializados), o comércio (serviço), o transporte (frete) notam-se exemplos de processos produtivos.

Na operação, classificam-se como “elementos de entrada”, todos os recursos necessários para iniciar o processo produtivo: pessoas, construções, matérias-primas, máquinas, equipamentos, informação, capital… Já por “elementos de saída” operacional entendem-se todos os resultantes transformados: salários, bens, serviços, lucro, lixo, dívidas, dentre outros.

Assim, todo processo produtivo obedece a um caminho ordenado da entrada de recursos, passando pela operação à saída de produtos. Entretanto, peças obsoletas, danificadas, em mal-funcionamento ou devolvidas para reparo ou reciclagem podem seguir o fluxo material contrário (GHIANI; LAPORTE; MUSMANNO, 2004, p. 5).

Elaboração própria.

Este trinômio entrada-operação-saída ocorre, sempre, nos entremeios interno e externo de uma determinada organização. Assim, com efeito, a produção estabelece-se no fluxo contínuo e ordenado de recursos de fora para dentro da organização e, novamente, de dentro para fora dela, a resultar no próprio produto. Esse movimento repete-se ao atendimento de cada demanda de consumo, compondo, portanto, um “ciclo de produção”.

Cadeia de Produção

Cada ciclo de produção distingue um produto diferente. No entanto, ciclos de produção distintos, em diferentes organizações, podem ordenar-se para a produção de um determinado produto-final. Nesse caso, um produto anterior torna-se elemento de entrada no ciclo de produção de um produto posterior. A esse exato sequenciamento produtivo-operacional denomina-se “cadeia de produção”. Dessa forma, também, se cada ciclo de produção distingue um produto diferente, cada produto apresentará uma própria cadeia produtiva.

Com efeito, para Waters (2003, p.7), translata laxe: “Uma cadeia de produção consiste na série de atividades e organizações que materiais percorrem em suas jornadas dentre produtores iniciais e consumidores finais.”

Como no ciclo operacional, o fluxo material pela cadeia produtiva segue um determinado sentido: da produção inicial para o consumo final. Entretanto, peças obsoletas, danificadas, em mal-funcionamento ou devolvidas para reparo ou reciclagem podem seguir o fluxo material contrário (GHIANI; LAPORTE; MUSMANNO, 2004, p. 5). Quando advêm-se de uma organização anterior, adentrando em um ciclo de produção específico, chama-se de fluxo upstream ou convergente. Já quando segue adiante o ciclo de produção para uma próxima organização consumidora, designa-se por fluxo downstream ou divergente.

De outra forma, uma cadeia de produção compõe-se de organizações desde produtores iniciais até consumidores finais, cada qual observando seus próprios fluxos materiais relativos.

Elaboração própria.

Camadas de Produção e de Consumo

Tanto da perspectiva da produção, quanto da visão do consumo, a cadeia produtiva estrutura-se em um número determinado de camadas, desde seu início até o seu fim (WATERS, 2003, p. 8).

Camadas de produção discriminam-se de primeiro nível, quando produtores enviam materiais diretamente ao ciclo de produção; de segundo nível, quando enviam a produtores de primeiro nível; de terceiro, quando a produtores de segundo nível e assim por diante.

Camadas e Fluxo de Produção. (Elaboração própria)

Similarmente, as camadas de consumo distinguem-se de primeiro nível, se consumidores tomando produtos direto da operação; de segundo, se consumindo do primeiro nível; terceiro, se do segundo, e, assim, até o consumidor final.

Camadas e Fluxo de Consumo . (Elaboração própria)

Atividades Logísticas

O fluxo de materiais num processo produtivo ocorre para dentro, dentro e para fora de uma organização, sob o desenvolvimento de cinco principais atividades logísticas: de aquisição, de armazenamento, de transporte, de manuseio e de consolidação e distribuição (BOWERSOX; CLOSS; COOPER, 2002, p. 39-43). Apesar de separarem-se nessas cinco sub-funções, todas elas integram o objetivo de satisfazer o consumidor final, numa cadeia produtiva.

A atividade logística de aquisição gerência as requisições de consumo desde o recibo de pedidos, passando pela entrega, pelo faturamento e indo até a coleta do produto consumido. Nesse sentido, tanto maior a precisão e a prontidão do gerenciamento de pedidos de compra, maior a responsividade operacional e da cadeia de produção. Para isso, a tecnologia da informação realiza-se determinante, tanto no planejamento de serviço e produção, quanto na comunicação ao longo de sua execução.

Já a sub-função logística de armazenamento lida com a necessidade produtiva de estocar materiais. Entretanto, a maior parte do volume material armazenado corresponde à menor parte do lucro obtido. Assim, essa atividade logística segmenta o consumo conforme a lucratividade das linhas de produtos, integrando o transporte de material, para obter agilidade no fluxo produtivo e não perder competitividade, estocando o mínimo possível.

Por sua vez, a atividade logística de transporte confunde-se com a própria logística, administrando a movimentação e o posicionamento de materiais ao longo da operação e da cadeia de produção. Para isso, avalia constantemente os custos, a velocidade e a confiabilidade dos serviços de transporte de material, na satisfação do consumidor, decidindo-se, então, por executá-lo ou através de frota própria de veículos (serviço de transporte industrial), ou por frota terceirizada (transporte de linha regular) ou, ainda, por frota alugada (transporte sem linha regular).

Além disso, a atividade logística de manuseio de materiais apresenta-se em todas as outras sempre que ocorrem as ações de receber, mover, armazenar, separar e consolidar materiais numa operação e cadeia de produção. Cada produto apresenta requisitos próprios de movimentação. Na satisfação do consumidor, a atividade está diretamente ligada à segurança e à agilidade de prestação de serviço.

Por fim, a atividade logística de consolidação e distribuição ocupam, geralmente, a etapa final da operação e da cadeia de produção, responsabilizando-se tanto pelo agrupamento de produtos soltos quanto pela separação deles para transporte. A consolidação coloca-os em caixas, depois as caixas, em pallets e, os pallets, em contêineres antes de movimentá-los. Já a distribuição separa-os, organiza-os, ordena-os e empacota-os para o transporte final até o consumidor.

Atividades Logísticas

ATIVIDADEDESCRIÇÃO
AquisiçãoGerência as requisições de consumo; inicia o fluxo produtivo dentro da organização; negocia termos e condições com produtores convergentes; gerencia pedidos de consumo; verifica disponibilidade de estoque; arranja pagamentos, seguros e faturas; emite documentos transativos; apura e distribui informações na operação e cadeia produtiva e para os consumidores; afeta diretamente a responsividade e agilidade operacionais; depende da tecnologia de informação adotada.
ArmazenamentoControla os estoques de materiais no mínimo possível; recebe materiais para estocagem; define a política inventarial; zela pela integridade do material; organiza materiais para rápido acesso e retirada; garante o empacotamento correto; assegura a disponibilidade contínua de produtos sazonais; defende contra ataques especulativos de preços de produtos no mercado; protege, no curto-prazo contra ineficiências e falhas de produção; segmenta o nível de consumo de cada linha de produto por lucratividade e relaciona-se a agilidade operacional
TransporteMovimenta materiais na operação e cadeia de produção por longas trajetórias; alonga o alcance das ofertas no mercado; escolhe o modal de transporte; encontra a melhor forma de execução, direta ou indireta; designa uma rota; garante o cumprimento de todos os requisitos legais e de segurança de transporte; assegura o cumprimento de prazos de entrega; afeta os fatores de segurança, velocidade e confiabilidade operacional, na satisfação de consumo.
ManuseioManipula materiais na operação e cadeia de produção; carrega e descarrega veículos; remove material dentro da organização para a operação e, em trajetórias curtas, na cadeia de produção; controla e usa equipamentos adequados de manuseio; depende da natureza de cada produto e afeta a segurança e a agilidade operacional.
Consolidação e DistribuiçãoAgrupa e separa materiais na operação e cadeia de produção; promove economias de escala; inspeciona danos; confere recibos; antecede a etapa de transporte e afeta todos os fatores de produção diretamente.

Fonte: Baseado em Bowersox, Closs e Cooper (2002, p. 39-43), Waters (2003, p. 12-14)
e Ghiani, Laporte e Musmanno (2004, p. 6-12).

Conclusão

Ofertas de produção condicionam-se à propostas de valor e demandas de consumo. Todo produto realiza-se um objeto ofertável capaz de satisfazer a postas necessidades humanas.

Classificam-se quanto à sua natureza física, em tangível ou intangível, ou quanto à sua finalidade produtiva, em industrial ou comercial.

A transformação de recursos em produtos realiza-se numa operação. Cada produção apresenta, numa determinada organização, um ciclo operacional específico, que organiza fluxos materiais de entrada, convergentes, e de saída, divergentes. Por sua vez, a ordenação dos ciclos produtivos distintos compõe uma cadeia de produção, que estrutura-se em camadas de produtores e de consumidores.

No todo operacional e da cadeia de produção, o processo produtivo distingue-se em cinco sub-funções principais: de aquisição, de armazenamento, de transporte, de manuseio e de consolidação e distribuição. Ao conjunto dessas atividades, denomina-se logística.

Portanto, a Logística constata-se a ciência que busca entender e gerenciar a dinâmica infomaterial por detrás da produção.

Referências Bibliográficas

BOWERSOX, Donald J.; CLOSS, David J.; COOPER, M. Bixby. Supply Chain Logistics Management. Nova Iorque: Mcgraw-hill/irwin, 2002. 680 p.

GHIANI, Gianpaolo; LAPORTE, Gilbert; MUSMANNO, Roberto. Introduction to Logistics Systems Planning and Control. Chichester: John Wiley & Sons, 2004. 377 p.

KOTLER, Philip; KELLER, Kevin L.. Administração de Marketing. 14. ed. São Paulo: Pearson, 2013. 658 p.

KOTLER, Philip; KELLER, Kevin L.. Principles of Marketing. 2. ed. Londres: Prentice Hall, 1999. 1036 p.

WATERS, Donald. Logistics: An Introduction to Supply Chain Management. Nova Iorque: Palgrave Mcmillan, 2003. 367 p.

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