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Sistema de transporte marítimo de carga a granel indica limite de crescimento de exportações do agronegócio brasileiro

Mesmo diante da pandemia do novo coronavírus, as exportações para a China de grãos de soja brasileiros bateram recorde trimestral (Q1). Dentre motivos para o alcance do índice, aponta-se a safra excepcional e a vantagem proteica da produção nacional sobre os grãos rivais.

Em 2019, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE já apontava para o aumento da safra de soja do Brasil e da área plantada. Entretanto, outras situações relacionadas ao comércio global devem ter catalisado a exportação extraordinária.

A desvalorização histórica do real diante do dólar, que chegou a bater a casa dos 5 BRL/USD, em março, é uma delas. A moeda brasileira mais fraca aumenta o poder de compra estrangeiro sobre o produto brasileiro, alavancando, por fim, as exportações da commoditie, em geral. 

Além disso, ainda os efeitos da guerra comercial EUA X China, mesmo que arrefecida, também podem ter corroborado para o crescimento nas exportações. Privilegiar a compra da soja brasileira em relação ao grão estadunidense ainda é estratégico ao governo e ao produtor chinês. A compra do grão brasileiro diversifica o fornecimento e distribui os riscos da cadeia produtiva sino-asiática relacionada. De quebra, ainda, golpeia, geopoliticamente, o concorrente norte-americano, porque reduz seu “market share” e poder de barganha. 

Já para a operação do transporte marítimo de carga a granel, o aumento no volume das exportações brasileiras do produto para a China representa um aumento do valor do próprio frete da carga.

Isso, porque o crescimento da demanda por navios (classes panamaxes e superpanamaxes), num próprio momento de restrição de tráfego, provoca uma subida natural dos custos e preços de uso do transporte marítimo de carga. 

Num ambiente de redução de capacidade de funcionamento do sistema econômico e, por consequência, do sistema logístico, o sistema de transporte marítimo de carga também reduz-se. Dessa forma, nenhum crescimento agrário consegue beneficiar-se economicamente do sistema de transporte.

Nesse caso, na verdade, o nível operacional e estrutural do sistema de transporte marítimo de carga a granel global constringe o nível operacional do sistema de produção agrário nacional, independentemente, de sua capacidade estrutural. 

Expectativa do consumidor brasileiro alinha-se com a realidade dos mercados globais? Pandemia do novo coronavírus lança comércio mundial no pessimismo

Pesquisa de sentimento do consumidor brasileiro sob a pandemia do novo coronavírus, da consultoria de mercado McKinsey, revela que 85% dos cidadãos preocupam-se com a saúde pública, em primeiro lugar; 80% com a saúde da própria família e em não contribuírem para o aumento da doença. Enquanto compreendem que crescerão os gastos com lazer e comércio remoto, brasileiros preveem redução na renda real geral. Ainda, maior parte (3/4) é pessimista quanto ao futuro da economia e acha que pandemia durará por meses.

A pesquisa parece indicar que os sinais de risco sócio-econômicos da pandemia do novo coronavírus foram corretamente apreendidos pela maior parte da população e se encaixa com os dados cibernéticos de comportamento de consumidor, do âmbito global.

Se, para o caso nacional, confirmar-se o mesmo comportamento de consumo global, é esperado que a demanda por serviços de logística de carga aumente em até dois dígitos percentuais, enquanto ocorre queda acentuada, na mesma ordem, na demanda de serviços de logística de passageiros. 

Apesar disso, com o retorno parcial das atividades da cadeia produtiva chinesa, ao menos a demanda logística de “commodities”, deve ser compensada, no próximo mês. A China é o principal parceiro econômico brasileiro, tanto em volume, quanto em valor comercial agregado (OEC/UNTACD).

Matriz de importações chinesas de produtos brasileiros (THE OBSERVATORY OF ECONOMIC COMPLEXITY, 2017 / UNTACD)

No entanto, mesmo o gigante sino-asiático terá sua perspectiva de crescimento econômico abalada, já que os maiores mercados de consumo global, os EUA e a Europa, sofrem o pico dos efeitos da pandemia, agora.

– China’s exports only fell 6.6 per cent in March after having contracted 17.2 per cent in combined figures for January and February;
– But with global demand set to drop amid antivirus measures in US and Europe, analysts have warned of a substantial fall in the coming months.

Assim, é de se esperar, realmente, que o sistema logístico nacional apreenda, no final das contas, queda sensível, em suas atividades, principalmente, no transporte de passageiros.

O sentimento pessimista do consumidor nacional está alinhado com as perspectivas comerciais globais 

OMC: “Trade set to plunge as COVID-19 pandemic upends global economy”

World trade is expected to fall by between 13% and 32% in 2020 as the COVID 19 pandemic disrupts normal economic activity and life around the world.

Relatório da Organização Mundial do Comércio (OMC) reconhece que a prioridade dos países deve ser combater a pandemia do novo coronavírus, em vez da crise econômica. Aliás, o alerta é para a necessidade dos países trabalharem juntos contra a pandemia a fim de que a própria recuperação comercial global seja mais rápida. 

Para a OMC, a crise econômica atual é diferente da de 2008-09, apesar de comparável. Lembra que, hoje, setores econômicos inteiros param, como os de turismo, transporte e serviços não-essenciais. Nesse sentido, duas hipóteses principais são projetadas para o comércio global.

No cenário da hipótese otimista, se os países adotarem as medidas de mitigação da pandemia mais eficazes, já no segundo semestre deste ano haverá o retorno da atividade econômico-comercial a patamares de crescimento. Na hipótese do cenário pessimista, porém, a OMC entende que as medidas de mitigação demorarão a serem tomadas, adiando, portanto, o próprio retorno do crescimento econômico-comercial dos países. Independentemente, em TODOS os cenários todas as regiões do planeta sofrerão quedas de dois dígitos no comércio de importação e de exportação de produtos e serviços, durante a pandemia.

Outro aspecto observado pelo relatório da OMC é a necessidade de gestão da crise das cadeias logísticas globais, já que indústrias inteiras pararam a produção. Entretanto, para o setor de serviços, é que a OMC assevera que a pandemia imporá perdas econômicas irreparáveis.

Por fim, o relatório da OMC indica que os dados já levantados são de que a pandemia afundou até 43,3 pontos as exportações de manufatura (MARCH JP MORGAN PMI INDEX), indicando, infelizmente, que já estamos perseguindo o pior dos cenários comerciais projetados. 

Tudo isso, o relatório também lembra, ocorre num ambiente de negócio global já afetado pela guerra comercial China-EUA, advindo de antes dessa crise, que já havia deteriorado o potencial do comércio global. 

O GLOBO: “Coronavírus fará economia global parar pela 1ª vez após 10 anos de expansão”

Custo da epidemia deve superar US$ 280 bilhões nos três primeiros meses de 2020, prevê consultoria.

Segundo O Globo, Capital Economics espera que epidemia seja contida ainda nesse trimestre e que economia retome patamar previsto de crescimento até 2021. Impacto maior seria sentido nos setores de turismo e na cadeia de produção dos emergentes asiáticos, bem como na Autrália.

G1: “Crise levou 4,5 milhões a mais à extrema pobreza e fez desigualdade atingir nível recorde no Brasil, diz IBGE”

País chegou a 2018 com 13,5 milhões de pessoas em extrema pobreza, contingente maior que toda a população de países como Bélgica e Portugal. Metade vive no Nordeste.

Subsistem com até R$146,00 por mês. Miséria é mais de pretos, pardos e nordestinos. Já são mais do que a população de Portugal, Grécia ou Bélgica inteira, por exemplo. Índice de Gini saiu de .524 (2015) para .545 (2018). Maior parte da renda de miseráveis vem de pensões e ajudas familiares. Segundo IBGE, bastaria 1 bilhão de reais do orçamento para esta situação se subverter. Isso daria uma ajuda de custo de apenas R$76,00 por mês, para cada ser humano na extrema pobreza, no país.

Os Determinantes do Comércio Marítimo

…the ultimate determining element in the employment of shipping lies in the sum of geographical conditions of each region in relation to other regions of the world, though the effect of such conditions may be modified greatly by economic or political policy on the part of individuals or government.

Sargent (1930) apud Lun, Lai e Cheng (2010)

Referência

LUN, Y. H. V.; LAI, K. -h.; CHENG, T.c.e.. Shipping and Logistics Management. Londres: Springer-verlag, 2010. 243 p.